
Moda em museu
Museu do Traje e do Têxtil reúne acervo raro de roupas e acessórios da história baiana
por: Gina Reis
É impressionante como a cidade do Salvador guarda e revela surpreendentes riquezas. É difícil imaginar, por exemplo, que há por aqui um Museu do Traje e do Têxtil, localizado na Fundação do Instituto Feminino da Bahia. Inaugurada em 1999, a casa de memória reúne um dos acervos mais raros e expressivos do cotidiano da mulher baiana que abrange desde o século XVII até o século XX. São mais de sete mil peças, entre roupas, acessórios e outros objetos relacionados à moda (toalhas, roupas de cama, mesa e banho).
Esse acervo surgiu da atitude visionária de uma dama da sociedade soteropolitana, Henriqueta Martins Catharino, fundadora do Instituto Feminino junto ao Monsenhor Flaviano Osório Pimentel. Em 1933, Henriqueta Catharino realizou uma exposição com o empréstimo de peças das famílias baianas (bordados dos séc. XVII a XIX, vestidos, jóias e imagens). O sucesso da mostra estimulou a grande dama a fazer uma carta à sociedade solicitando a doação de peças de uso pessoal, objetos e acessórios para a Fundação Instituto Feminino da Bahia. "O que mais impressiona é que ela (Henriqueta) teve a sensibilidade de buscar na sociedade peças que eram naturalmente descartadas e imediatamente identificou quem poderia fazer a doação e, a partir daí, constituir um acervo próprio", conta Ana Lúcia Uchoa Peixoto, museóloga, diretora executiva do Museu do Traje e do Têxtil e responsável pelo projeto de criação do museu. Ana Lúcia acredita que Henriqueta não tinha uma pretensão de criar um Museu da Moda, mas sim possuía a visão de que essas peças, no futuro, poderiam servir de fundamento para contar a história da sociedade baiana.

Quem visita o museu faz uma verdadeira viagem pelos antepassados e, principalmente, conhece um pouco dos seus costumes a partir dos trajes e objetos seculares. Entre os destaques do importante acervo estão a cauda e saia usadas pela Princesa Isabel, o enxoval da Baronesa de Cotegipe e um vestido de 1910 do estilista francês Paul Poiret, conhecido por liberar as mulheres dos dolorosos espartilhos e pôr fantasia à roupa feminina.

SERVIÇO
Instituto Feminino da Bahia
Rua Monsenhor Flaviano, 02 – Politeama de Cima (Centro)
Tel.: 71 - 3329-5522
Horário de funcionamento: terça-feira a sábado, de 14h às 18h.
Site: www.institutofeminino.org.br
* imagens: Acervo Museu do Traje e do Têxtil/Fundação Instituto Feminino da Bahia.