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Márcia Ganem
por: Gina Reis

As ladeiras do Centro Histórico são pequenas diante do sobe e desce que mantém Márcia Ganem entre o ateliê/loja, no coração do Pelourinho, e sua oficina de produção, no bairro de Santo Antônio Além do Carmo. Isso sem falar nas suas viagens à Ilha de Itaparica. Olhos sempre atentos e idéias a mil. Idéias essas que, logo em seguida, se transformam em tramas, cores e formas. Da administradora de empresas, ficou somente o espírito visionário e ousado. O que prevaleceu foi sua veia artística, criadora. Hoje, Márcia Ganem é referência para a moda baiana e seu trabalho, cada vez mais, ganha visibilidade internacional.
 
“Minha mãe era costureira. E a nossa relação com a costura era muito forte, porque ela trabalhava em casa. Por isso, nós estávamos o tempo inteiro em contato, mas não existia nenhuma relação direta com a moda”, conta a estilista.
 
Seu contato com a moda somente começou em 1996, quando desenvolveu uma coleção em parceria com o fotógrafo Ricardo Fernandes. A partir daí, seu potencial passou a ser visto e reconhecido no Brasil e no mundo. Quem não conhece Márcia não pode imaginar o que essa baixinha, morena, cabelos encaracolados, sorriso marcante e de gênio fortíssimo é capaz de fazer com as mãos.
 
Da fibra de poliamida e trama de nó, técnicas que nasceram das pesquisas da estilista, surgem peças únicas que nem todas as mulheres se arriscam a usar. “A mulher que veste a minha roupa tem uma personalidade muito definida. Ela gosta de ser vista”, afirma. Ao contrário de grande parte dos estilistas, Márcia já tem um diferencial: seu trabalho é social, artesanal e único. Por outro lado, seu grande desafio é fazer uma moda mais acessível. E isso já vem acontecendo. A prova são suas últimas coleções. Os tecidos, antes inexistentes nas suas roupas, agora surgem em sintonia perfeita com a linguagem da criadora. “Realizei mudanças sem abrir mão do diferencial do meu trabalho”, diz. 
 

 
É impossível assistir a um desfile de Ganem e não reconhecer um elemento regional. As ruas, as ladeiras, o som, as pessoas do Centro Histórico estão em cada corte, acabamento e textura criados por Márcia. “Eu moro, trabalho, tenho loja no Pelourinho. Do Santo Antônio ao Pelô, tudo é muito forte”, revela. Não é à toa que ela comprou duas antigas casas no Santo Antônio Além do Carmo para viver e produzir. Foi exatamente em sua agradável varanda, com vista deslumbrante para a Cidade Baixa e Baía de Todos os Santos, que Márcia contou um pouco sobre sua trajetória e impressões da criação local.
 
Na sua produção, muito à vontade, ela percorre cada peça, enquanto a equipe de profissionais constrói “verdadeiras jóias” sob sua orientação. Nos seus olhos, o que se vê é paixão, cuidado, atenção e paciência. Amor de mãe pelas suas criações.

 




 
 
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